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Do reparo ao ciclo de vida: por que conhecer o histórico do instrumental muda a gestão da CME

  • serginex
  • há 4 dias
  • 8 min de leitura
Caixa de instrumentos cirúrgicos e laptop com relatório InstrumentCare 360°; texto sobre histórico e decisões. conserto de instrumentla cirurgico instrumentarium

Uma manutenção mostra o que aconteceu hoje. O histórico mostra como aquele instrumental está se comportando ao longo do tempo — e pode transformar uma intervenção técnica em informação para gestão.


No primeiro artigo desta série, falamos sobre um conceito que vem orientando uma nova visão dentro da Instrumentarium: manutenção baseada em dados.


A ideia é simples: cada vez que um instrumental passa por uma intervenção, informações são geradas. Tipo de problema encontrado, serviço realizado, condição da peça, reincidências, componentes substituídos e recomendações técnicas são alguns exemplos.

Mas registrar essas informações é apenas o começo.


O verdadeiro valor aparece quando diferentes intervenções começam a ser relacionadas ao longo do tempo.


É nesse momento que deixamos de enxergar apenas um reparo e começamos a enxergar o ciclo de vida do instrumental.


Uma manutenção é uma fotografia. O histórico é o filme.


Imagine um porta-agulha que chega à assistência técnica apresentando dificuldade de travamento.


Ele é avaliado, ajustado, testado e retorna em condições adequadas de uso.

O problema foi resolvido.


Mas algumas perguntas permanecem:


  • Esse foi o primeiro problema apresentado por esse instrumental?

  • Ele já passou por manutenção anteriormente?

  • Há quanto tempo?

  • O problema anterior era semelhante?

  • O intervalo entre as manutenções está diminuindo?

  • Existe desgaste progressivo?


Outros instrumentos da mesma caixa apresentam ocorrências parecidas?

Sem histórico, cada nova intervenção começa praticamente do zero.

Com histórico, o contexto muda completamente.


A manutenção atual passa a ser comparada com aquilo que aconteceu anteriormente.

Uma ordem de serviço mostra uma ocorrência. Uma sequência de registros começa a mostrar comportamento.

E comportamento é informação extremamente valiosa para gestão.


O instrumental também possui um ciclo de vida


Todo instrumental cirúrgico atravessa diferentes fases durante sua utilização.

Ele é adquirido, incorporado ao parque hospitalar, utilizado repetidamente, processado inúmeras vezes, submetido a desgaste, recebe intervenções de manutenção e, em determinado momento, pode chegar ao final de sua vida economicamente ou tecnicamente recomendável.


Esse processo pode durar anos.


O problema é que, muitas vezes, essas diferentes fases não estão conectadas por uma linha histórica única.


A informação existe, mas encontra-se fragmentada.


Uma intervenção está em uma ordem de serviço.

Outra ocorreu meses antes.


Uma terceira pode ter sido realizada dentro de uma manutenção preventiva.

E eventualmente chega o momento em que alguém precisa decidir:


vale a pena reparar novamente ou chegou a hora de substituir?


Sem histórico, essa decisão tende a depender muito mais da situação daquele momento.

Com dados acumulados, ela pode começar a ser apoiada por evidências.


Bandeja com instrumentos cirúrgicos e ficha de manutenção; holograma mostra status ativo e datas, em ambiente clínico. conserto de instrumental instrumentarium

O “prontuário técnico” do instrumental


Uma das formas mais simples de compreender esse conceito é pensar na criação progressiva de um prontuário técnico do instrumental.


Cada intervenção acrescenta uma nova informação.

Por exemplo:


Instrumento: Porta-agulha Mayo-HegarIntervenção 1: ajuste de cremalheiraIntervenção 2: alinhamento e ajusteIntervenção 3: desgaste funcional identificadoIntervenção 4: nova necessidade de ajuste em intervalo menor


Uma intervenção isolada provavelmente não chamaria atenção.

Quando observamos a sequência, porém, aparece uma tendência.

O instrumental pode estar entrando em uma fase de desgaste mais acelerado.

Nesse momento, a pergunta deixa de ser apenas:


“É possível reparar?”

e passa a ser também:

“Ainda faz sentido continuar reparando?”

Essa segunda pergunta é muito mais relevante para gestão.


Reparar ou substituir: uma decisão que pode ser baseada em histórico


A manutenção adequada pode prolongar significativamente a utilização de muitos instrumentais e evitar substituições desnecessárias.


Por outro lado, também existe um momento em que sucessivas intervenções podem deixar de ser a alternativa mais eficiente.


É justamente aí que o histórico pode ajudar.


O objetivo não é simplesmente realizar mais manutenções.

Também não é recomendar substituições prematuras.

O objetivo é encontrar o equilíbrio.


Existem dois desperdícios possíveis:


Substituir cedo demais um instrumental que ainda poderia ser tecnicamente recuperado.

E, no extremo oposto:


continuar investindo repetidamente em um instrumental que já apresenta desgaste avançado e deveria entrar em planejamento de reposição.


Quando existe histórico, essa decisão passa a contar com mais elementos objetivos.


A caixa cirúrgica também possui uma história


O conceito pode ir além do acompanhamento individual.

Uma caixa cirúrgica também pode ser observada ao longo do tempo.

Imagine uma caixa composta por 40 instrumentos.

Em determinado período, cinco deles apresentam necessidade frequente de manutenção.

Em outra caixa da mesma especialidade, com composição semelhante, isso não acontece.

Essa diferença pode gerar perguntas importantes.

Existe maior intensidade de utilização?

A quantidade disponível é adequada à demanda?

Determinados instrumentos estão sofrendo sobrecarga?

Existe alguma particularidade no processamento?

Há um padrão relacionado ao uso?

O problema está concentrado em alguns modelos específicos?

O histórico não necessariamente fornece sozinho todas as respostas.

Mas ele ajuda a identificar onde devemos começar a procurar.

E isso já representa uma mudança importante na gestão.


Quando a reincidência deixa de ser apenas uma nova manutenção


Um dos indicadores mais interessantes dentro dessa lógica é a reincidência.


Se um instrumento retorna repetidamente para manutenção, a repetição em si passa a ser informação.


Mais importante ainda pode ser observar o intervalo entre essas intervenções.

Considere um exemplo hipotético:


1ª manutenção: intervalo anterior de 24 meses2ª manutenção: 14 meses depois3ª manutenção: 8 meses depois4ª manutenção: 4 meses depois

O número de manutenções importa.


Mas o comportamento dos intervalos pode ser ainda mais revelador.

Existe uma aceleração na frequência das intervenções.


Isso pode indicar que vale a pena aprofundar a avaliação técnica ou considerar a peça dentro de um planejamento de substituição.


É um exemplo simples de como dados históricos podem transformar acontecimentos isolados em tendências observáveis.


A CME passa a enxergar o parque, e não apenas os problemas


Existe uma mudança conceitual importante aqui.


No modelo tradicional, grande parte da informação chega à CME na forma de ocorrência:


  • tesoura sem corte;

  • pinça desalinhada;

  • porta-agulha com falha;

  • instrumental danificado;

  • caixa necessitando revisão.


A atuação acontece em resposta a esses eventos.

Com uma visão de ciclo de vida, torna-se possível começar a observar o parque de forma mais ampla.


  • Quais instrumentos apresentam maior frequência de intervenção?

  • Quais caixas concentram mais ocorrências?

  • Quais famílias apresentam maior reincidência?

  • Quais instrumentos permanecem estáveis durante longos períodos?

  • Quais estão começando a exigir intervenções com intervalos menores?


A pergunta deixa de ser apenas:

“O que precisamos consertar?”

e começa a incluir:

“O que os nossos instrumentos estão nos mostrando?”
Bandeja de instrumentos cirúrgicos inox e tablet com histórico de manutenção; etiqueta TRAY-07 e clima clínico organizado. conserto de instrumental cirurgico instrumentairum

Histórico também pode ajudar no planejamento preventivo


A manutenção preventiva tradicional trabalha com revisões programadas.

Isso já representa um avanço em relação ao modelo exclusivamente corretivo.

Mas o histórico pode permitir uma evolução adicional.


Se determinadas caixas ou famílias de instrumentos demonstram maior incidência de problemas, elas podem receber atenção diferente de outras que apresentam comportamento mais estável.


Isso abre caminho para uma manutenção preventiva progressivamente mais orientada por dados.


Não significa eliminar critérios técnicos ou periodicidades estabelecidas.

Significa adicionar uma camada de informação.


O histórico ajuda a direcionar atenção para onde ela pode gerar maior benefício.


De dado operacional a informação para diferentes áreas do hospital


Embora grande parte dessas informações tenha origem na manutenção e na CME, seu valor não precisa ficar restrito a essas áreas.


Um histórico bem estruturado pode futuramente contribuir para diferentes decisões.

Para a CME


Melhor compreensão do estado e comportamento do parque de instrumental.

Para suprimentos


Maior informação para planejamento de reposições e priorização de compras.

Para administração


Indicadores sobre manutenção, recuperação e evolução do patrimônio.

Para qualidade


Maior organização documental e acompanhamento das intervenções realizadas.

Para engenharia clínica ou áreas correlatas


Uma visão adicional sobre recorrência, condição e evolução dos ativos acompanhados.

É importante perceber que o mesmo dado técnico pode adquirir diferentes significados dependendo de quem o analisa.


Um patrimônio que precisa ser gerenciado


Um hospital pode possuir milhares ou dezenas de milhares de instrumentais cirúrgicos.

Esse parque representa um patrimônio importante, construído ao longo de anos e distribuído entre diferentes especialidades, caixas e setores.


Ainda assim, frequentemente a atenção gerencial se concentra muito mais na aquisição e reposição do que na evolução desse patrimônio durante seu período de utilização.


A visão de ciclo de vida procura justamente preencher parte dessa lacuna.


Não basta saber quantos instrumentos existem.


Progressivamente, torna-se importante saber também:

  • em que condição estão;

  • quais recebem mais intervenções;

  • quais apresentam maior estabilidade;

  • onde estão concentradas as reincidências;

  • onde existem sinais de desgaste acelerado;

  • onde pode existir futura necessidade de reposição.


Essa informação transforma manutenção em uma fonte adicional de conhecimento sobre o patrimônio hospitalar.


Instrumentarium Lifecycle Program™: construir conhecimento ao longo do tempo


É exatamente essa visão que está por trás do Instrumentarium Lifecycle Program™.

O programa nasce da ideia de que uma relação continuada de manutenção pode gerar algo muito maior do que uma sequência de ordens de serviço.


Ela pode construir uma base histórica sobre o comportamento do parque de instrumental do hospital.


Dentro dessa metodologia, o acompanhamento pode evoluir gradativamente incorporando:

  • histórico das intervenções;

  • rastreabilidade;

  • identificação do instrumental e/ou caixa;

  • análise de reincidências;

  • frequência das manutenções;

  • acompanhamento de desgaste;

  • relatórios técnicos;

  • indicadores;

  • recomendações;

  • planejamento preventivo;

  • apoio à decisão de recuperação ou reposição.


É importante destacar que não estamos falando apenas de software.

O software organiza informações.


O valor está na combinação entre experiência técnica, dados históricos e capacidade de interpretação.


InstrumentCare 360°: acompanhamento além da ordem de serviço


Dentro dessa visão, o conceito do InstrumentCare 360° representa justamente o acompanhamento contínuo do instrumental.

Em vez de observar cada serviço como um evento independente, buscamos criar uma visão cada vez mais ampla do que aconteceu antes, do que está acontecendo agora e de quais sinais merecem atenção no futuro.


Essa continuidade é especialmente relevante em contratos de manutenção de médio e longo prazo.


Porque existe uma característica fundamental dos dados históricos:


eles ganham valor com o tempo.


Após uma única intervenção, sabemos pouco.

Depois de seis meses, começamos a formar histórico.

Depois de um ano, algumas comparações tornam-se possíveis.

Com períodos maiores e volume consistente de registros, podem começar a surgir padrões muito mais relevantes.



O diferencial de uma relação continuada


É por isso que um programa de gestão de ciclo de vida faz particularmente sentido dentro de contratos continuados.


Um serviço pontual resolve um problema.

Uma relação continuada pode, além de resolver problemas, construir conhecimento sobre o parque.


Isso representa um benefício que se acumula.

O hospital não recebe somente o instrumental recuperado.

Passa progressivamente a construir uma memória técnica sobre seus ativos.

E quanto maior a continuidade e qualidade dessa informação, maior pode ser sua utilidade para decisões futuras.


Do histórico aos indicadores


Conhecer o histórico é um passo fundamental.

Mas não é o último.


Quando começamos a reunir centenas ou milhares de registros, surge uma nova possibilidade:

transformar histórico em indicadores.

Podemos começar a observar não apenas um instrumento, mas grupos inteiros.

Comparar caixas.

Comparar especialidades.

Identificar concentrações de ocorrência.

Analisar frequência.

Medir reincidências.

Observar evolução ao longo dos períodos.

É nesse momento que os dados deixam de contar apenas a história de um instrumento e começam a contar a história do parque inteiro.


E esse será justamente o próximo passo desta série.


Um novo olhar sobre o instrumental cirúrgico


O futuro da gestão do instrumental provavelmente não estará baseado somente em saber se uma peça está funcionando ou não.


Estará também em compreender como ela chegou até aquela condição.

Quantas intervenções recebeu.

Com qual frequência.

Como seu comportamento se compara com outros instrumentos.

Quando sua recuperação continua sendo adequada.

E quando talvez seja o momento de começar a planejar sua substituição.

Na Instrumentarium, acreditamos que essa visão pode ampliar significativamente o papel da manutenção dentro da gestão hospitalar.


Porque reparar é importante.


Conhecer a história do que estamos reparando pode ser ainda mais valioso.


Instrumentarium Lifecycle Program™


Mais que manutenção. Gestão inteligente para resultados reais.


Continue acompanhando esta série


Conhecer o histórico permite entender o passado. O próximo passo é transformar esse histórico em indicadores capazes de apoiar decisões.


No próximo artigo da série Da Manutenção à Inteligência do Instrumental, vamos mostrar como os dados acumulados podem revelar custos ocultos, reincidências, diferenças entre especialidades e oportunidades de melhoria que dificilmente aparecem quando cada manutenção é analisada isoladamente.


Logo cinza do Instrumentarium com ícone estilizado em forma de m sobre fundo branco. conserto de instrumental cirurgico


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